segunda-feira, 6 de junho de 2011

Crianças da Comunidade de Campinhos e Jovens da APAE


O grupinho chegou de lancha e caminhou até a praça para nos encontrar. Muito carinhosos, chegavam nos abraçando pela cintura, agradecendo pelo que ainda iriam ver e participar. Solange conduziu a metade do grupo para o local da exposição e eu,  Néia e Nériton ficamos do lado de fora, no toldo, aguardando o outro grupo, da APAE, que já deveria ter chegado, mas estava muito atrasado.
Para ver a exposição e seguir  as explicações da “tia” Solange todo mundo se acomoda sentando no chão.

A brincadeira de imitar o menino plantando bananeira, do quadro de Portinari, é proposta às crianças e alguns se aventuram na proeza e até o “seu” João, presidente  da  Associação dos Pescadores, mostra que não se esqueceu da brincadeira dos tempos da infância .
 No toldo, eu trabalho com as crianças da APAE, que na semana anterior já havia trazido um grupo de alunos e agora está de volta com outro grupo.
Todos são muito participativos. Alguns com mais dificuldade de comunicação, se esforçam muito para realizarem a mesma atividade que os outros menos comprometidos estão fazendo.






As quatro amigas sentam-se juntas para pintar e, ao mesmo tempo, ouvir a história da “Tia Nota 10” que eu estou contando para o grupo.






A Lili é a mais falante do grupo e logo que eu propus a elas que pintassem alguma coisa de que gostassem muito ela me disse que não sabia pintar. As amigas logo seguiram a Lili...
Mas eu não me dei por vencida, peguei um papel e as tintas e comecei a contar uma história da menina que gostava de pular corda, ao mesmo tempo em que ia pedindo sugestões das 4meninas para as cores, os elementos que eu deveria colocar na minha pintura. Elas ficaram entusiamadas  e iam escolhendo tudo o que comporia o meu trabalho até o final. A Lili logo me pediu para dar o desenho para ela. Eu disse que daria, sim, mas que também gostaria de receber de cada uma delas um desenho também e assim consegui  que todas fizessem alguma coisa com as tintas. O resultado foi muito bom!
Andrea mostra a linda árvore que pintou
Mas a Lili, muito contente, faz questão de mostrar o desenho que eu fiz para ela .
Os rapazes também trabalham e Lázaro chama “tia” Néia para mostrar-lhe o seu desenho.
Marcelo coloca o seu desenho de observação  em frente ao prédio da Prefeitura, que lhe serviu de inspiração.
O grupo se despede posando em frente ao caminhão Portinari.
Assim que o grupo da Apae sai, entram as crianças  de Campinhos .
A animação é grande!
Todas as crianças gostam muito de mostrar seus desenhos e pinturas  e o resultado é este festival de carinhas felizes !







 












Antes de se encaminharem para o barco que as levará de volta à Comunidade de Campinhos as crianças ainda brincam um pouco da praça. A professora me explica que essas crianças raramente deixam a Comunidade para virem à cidade, então, uma oportunidade como esta é motivo de alegria para todas elas, que querem aproveitar tudo até a última gota.
     


As meninas mais vaidosas fazem pose para as fotos




Acompanho o grupo até o barco. Na entrada mais poses para fotos.
Dentro do barco uma grande movimentação para vestirem os coletes salva-vidas, pois eu aviso que sem colete não tem fotografia.
Todo mundo “ como manda o figurino” – segurança acima de tudo!
E lá se vai o barco de volta à Comunidade dos pescadores de Campinhos.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Nosso público espontâneo em Canavieiras


Como aconteceu em Ilhéus , temos aqui também um público que aparece para nos visitar e participar de nossas atividades de arte, espontaneamente, sem estar ligado ao grupo escolar. São crianças que moram nas redondezas da praça e vem sozinhas ou, às vezes acompanhadas dos pais ou dos avós.





No domingo de manhã esta família chegou logo que abrimos a exposição. Os dois meninos pintaram e desenharam e o papai escolheu um dos livros de nosso bauzinho da literatura e leu uma das histórias para os filhos. Que bonito ver pais cuidadosos com a vida cultural dos filhos, estimulando-os à arte e à leitura!

As quatro amigas chegaram juntas e passaram a manhã de sábado fazendo arte conosco.









Não só as crianças nos visitam. Os jovens também são um público constante em nosso espaço de arte.

Esta menininha mora próximo da praça e vem diariamente nos visitar

Junto com um coleguinha de escola que também está sempre conosco, desenha, pinta...
...e ri muito!

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Os alunos do CAPS ( Centro de Assistência Psico-Social)


Na manhã do dia 26 de maio recebemos a visita de 14 alunos do CAPS. Este Centro oferece atendimento a pessoas portadoras de problemas mentais; promove, através de programas de  assistência social, com atividades sócio-pedagógicas, a reinclusão de pessoas que vivem em estado de pobreza extrema e, que, levadas por esta condição de privações, passam a apresentar problemas mentais.

O sofrimento marca a aparência física dessas pessoas, mas pudemos sentir em cada uma delas uma grande alegria por estarem sendo incluídas e poderem realizar atividades de arte, o que muito os sensibiliza.
Quando eu proponho a eles que mostrem os seus desenhos e pinturas para que eu possa registrar o que fizeram, fotografando os trabalhos, tenho total aceitação.


 A quantidade de árvores desenhadas e pintadas deve-se a nossa informação de que 2011 foi escolhido para ser o Ano Internacional das Florestas.

Antonio desenha uma menininha e tenta me explicar o que quis dizer com o seu desenho.














E Priscila, que é uma das cantoras do Coral do CAPS, mostra o seu desenho para eu fotografar.

Alguns dos alunos celebram a primavera antecipadamente desenhando flores.







Depois de algum tempo desenhando, os alunos mostram-se cansados e Néia propõe que eles ouçam a história que ela lerá para eles e começa a ler o livro “Olha o Bicho” de Rubens Matuck. As rimas engraçadas fazem que alguns deles participem da leitura e riam muito.

Todos são levados para ver a exposição. A participação é grande. Todo mundo quer opinar sobre os quadros e quando eu os apresento ao quadro “Vendedor de passarinho”, com muita indignação, dizem que não se deve prender passarinho em gaiola, que isso é crime, que o IBAMA prende, enfim, todos têm consciência de que é uma prática criminosa, mas... logo em seguida , Francisco me diz: “ Curió, papagaio e periquito, pode colocar em gaiola!” e Antonio acrescenta” canário também”. E aí, para minha surpresa começam a contar que a mãe de um, o irmão de outro, o padrasto de um outro mantém pássaros de estimação em cativeiro!!!! Aí eu não entendo mais nada...
 

Antes de deixarem a exposição, Solange traz os bichinhos de pelúcia para distribuir. A alegria é geral! Todos parecem virar criança. Até os homens querem ganhar bichinho de pelúcia!




E eu ganho muitos abraços apertados !
Solange filma o grupo, sob os olhares curiosos de duas alunas: D.Rosa e Sirléia.
Eu e Solange acompanhamos o grupo até a van que os levará de volta à instituição.
                        

Ainda sobre Ilhéus A Casa de Jorge Amado.



 A Casa de Jorge Amado.

É no número 21 que está localizada a Casa de Cultura de Ilhéus – a Casa de Jorge Amado. Antigo casarão da família do coronel João Amado, data do ano de 1926.   Nesta casa, aos 19 anos, Jorge Amado escreveu seu primeiro romance: O País do Carnaval.

        












 






Portinari e Jorge Amado cultivaram uma grande amizade durante toda a vida. Ambos eram membros do Partido Comunista Brasileiro e nutriam admiração recíproca por suas posições sociais, mostrando, cada um com a sua arte, vivências do povo brasileiro.

Jorge Amado deixa registrada esta admiração no seguinte texto:

“Candido Portinari nos engrandeceu com sua obra de pintor. Foi um dos homens mais importantes do nosso tempo, pois de suas mãos nasceram a cor e a poesia, o drama e a esperança de nossa gente. Com pincéis, ele tocou fundo em nossa realidade. A terra e o povo brasileiro – camponeses, retirantes, crianças, santos e artistas de circo, os animais e a paisagem – são a matérias com que trabalhou e construiu sua obra imorredoura...”

O Projeto Portinari guarda em seu acervo esta foto histórica, em que os amigos Graciliano Ramos (acompanhado de sua mulher, Heloisa), Portinari e Jorge Amado recebem o poeta chileno Pablo Neruda (de terno branco) no Rio de Janeiro. A foto é de agosto de 1952. Jorge tinha 40 anos, e já era um consagrado escritor.


Portinari retribui a amizade com dois retratos de Jorge, bem jovem - uma pintura e um desenho.













O interior da casa preserva grande parte do casarão original, como a pintura do teto da sala de jantar, com esta paisagem clássica.


O assoalho em madeira trabalhada em marcheteria ainda é original.
As portas são encimadas por este trabalho em ferro batido.







 

Jorge Amado e Zélia Gatai doaram, ainda em vida, vários objetos da família, bem como roupas de uso pessoal do escritor, que são exibidas em vitrines no andar térreo da Casa.




 





Fotos e retratos pintados de Jorge, estão por toda parte, como esses dois perfis em que eu vejo muita semelhança com seu amigo, o escritor Gabriel Garcia Marques.
 

 



















Escultura de Jorge-Quixote, onde o escritor segura, como um guerreiro, a lança e o arco de Oxóssi.

 
A escada de madeira nos conduz ao segundo andar, onde os quartos de dormir dos antigos moradores são transformados em salas de exibição: uma delas  para os livros de Jorge em diversos idiomas, a outra onde se assiste a  uma projeção de depoimento de Jorge por ocasião da criação da Casa, e a seguinte é uma galeria de esculturas em terracota de entidades do candomblé.






As esculturas são lindas, mas, uma pena... não têm assinatura do autor!
São colocadas em cima de pedestais de madeira colorida com as cores correspondentes aos orixás que elas sustentam. Em destaque, no pedestal verde, está Oxossi, do qual Jorge Amado era “filho”.





A Casa de Jorge Amado tem um movimento cultural constante e é um dos pontos turísticos de Ilhéus. Vale a pena ser visitada.